Absenteísmo: apagar o incêndio ou evitar que aconteça?

Absenteísmo: apagar o incêndio ou evitar que aconteça?

Absenteísmo. Segundo o dicionário, é o “hábito de se ausentar com frequência, de não comparecer. Circunstância em que uma pessoa habitualmente deixa de realizar as obrigações referentes ao seu trabalho”.

No dia a dia de uma empresa, o absenteísmo é um dos principais problemas para a manutenção do fluxo de trabalho ideal. Todo mundo sabe a dor de cabeça que um colaborador a menos pode causar em uma posição estratégica.

Isso, no entanto, é realidade em muitas empresas. É difícil – para não dizer impossível – não se deparar com esse tipo de situação. E, quando ela chega, é normal que algumas perguntas sejam feitas.

Duas delas, porém, servem como reflexão:

Será que foi feita alguma ação para evitar que a situação chegasse naquele ponto?

O que é melhor: tratar o absenteísmo ou evitar que ele aconteça?

 

Previna o absenteísmo sempre!

Já dizia o provérbio português: é melhor prevenir do que remediar. E é justamente isso. Como, então, é possível se antecipar ao absenteísmo?

Em outros posts, o assunto foi abordado sob algumas óticas. Algumas delas foram:

Mas, na prática, quais ações podem ser tomadas para minimizar ou evitar esses problemas?

O que está ao seu alcance para contribuir para que o absenteísmo seja uma palavra pouco utilizada pelo seu RH ou outros setores?

Como tratar a parte física? E psicológica?

Nem tudo a ciência ou Freud explicam, claro, mas existem coisas até relativamente simples que podem ser feitas.

Quais? Dê uma olhadinha a seguir…

 

Antes, alguns dados sobre absenteísmo…

Segundo o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), as quatro principais causas de afastamentos por acidentes e adoecimento no trabalho, em 2017, foram relacionadas a fraturas. No total, 64.779 pessoas se ausentaram dos postos de serviço por causa disso.

Mas, na sequência, o quinto principal agente causador de absenteísmo foi a dorsalgia. A famosa dor nas costas fez com que 12.073 funcionários faltassem ao trabalho, novamente segundo o INSS.

Lesões no ombro (10.888), luxações, entorses e distensão de articulações e de ligamentos do tornozelo ou do pé (5.289), problemas no punho ou na mão (4.682) e inflamações em articulações (4.521) também apareceram no top 20 da lista.

Deixando de lado um pouco os “vilões” físicos, a parte psicológica também foi citada na pesquisa. Reações ao estresse e transtornos de adaptação geraram 3.170 ausências. Um campo denominado como “outros transtornos ansiosos” teve 2.365.

Segundo o INSS, o total de benefícios concedidos por acidentes ou adoecimentos no trabalho foi de 196.754 em 2017. Desses, a separação foi feita em: 132.704 para acidentes e 64.050 para adoecimentos.

Isso, claro, acendeu a luz amarela (para não dizer vermelha) do governo federal. Por isso, a Canpat (Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho) de 2018, do Ministério do Trabalho e Emprego, iniciada em 4 de abril, abordou e vai abordar a fundo temas relacionados a isso.

Detalhes sobre a Canpat 2018 aqui, com todo o cronograma do programa, que terminará em outubro.

 

Absenteísmo é uma preocupação mundial

É chover no molhado, claro, dizer que o absenteísmo é um problema que incomoda demais as empresas. Por isso, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem investido em campanhas de conscientização.

O recado, sempre, é voltado para o lado da prevenção. A entidade tem lamentado profundamente a perda de vidas e incapacitações causadas por acidentes de trabalho. Mas tem contabilizado o prejuízo que isso leva às empresas.

4%

do PIB mundial são as perdas decorrentes de acidentes e doenças no trabalho, por ano, segundo a OIT

R$ 200 bilhões

é o quanto isso equivale para o cenário brasileiro

US$ 84 bilhões

é o número para os Estados Unidos – o equivalente a R$ 298 bilhões (na cotação de 11 de maio)

2,34 milhões

de mortes relacionadas ao trabalho, em 2013, contabilizou a OIT. Dessas, 2,02 milhões foram decorrentes de doenças ocupacionais. No Brasil, os números são inconclusivos, devido ao problema de subnotificação de adoecimentos

US$ 2.650

por ano, para cada empregado assalariado, é o custo gerado pelo absenteísmo, segundo estudo da “The Bottom-Line Killer”,  uma das publicações da Circadian, empresa líder mundial em fornecer soluções em segurança do trabalho

 

Então, como evitar?

Fatalidades, infelizmente, acontecem. Mas muita coisa pode ser feita para evitar acidentes de trabalho. E adoecimentos. Dá para arregaçar as mangas e adotar algumas medidas.

O que você acha dessas ações para melhorar a qualidade de vida e, consequentemente, a saúde?

  1. Ginástica laboral: ninguém vai conquistar um corpo de fisiculturista, mas nem precisa. Um alongamento bem feito durante a tarde ou um exercício de correção postural podem não significar muito em um dia isolado. Mas a frequência, com inclusão disso na rotina, já mostrou resultados: mais produtividade, diminuição de acidentes, melhora de relacionamento
  2. Programa de controle de peso: por que não contratar ou buscar parceria com uma ou um nutricionista? Tentar viabilizar algo parecido com uma academia no bairro da empresa? Estabelecer e premiar metas atingidas? Certamente, o investimento voltará maior com sua equipe sempre saudável e presente
  3. Promoção de campanhas educativas: palestras, entrevistas ou comunicação interna são canais para falar sobre prevenção de doenças, dicas de alimentação, prática de atividades físicas, cuidados no dia a dia de acordo com a função exercida…
  4. Manutenção de um ambiente de trabalho ideal: o local frequentado pelo colaborador no dia a dia tem de estar limpo, com condições de higiene e ambientais conservadas, equipamentos ideais e com manutenção em dia, mesas e cadeiras idem
  5. Treinamentos em dia: se o funcionário desempenha uma função específica, faça com que ele esteja sempre apto para isso. Atualize procedimentos, renove treinamentos, incentive a integração com as novidades do campo ao qual ele está exposto

 

Corpo são…

Cuidar do corpo, claro, é essencial para diminuir os números de absenteísmo. Mas não é tudo. O que você acha de:

  1. Promover feedbacks constantes: fale com seus funcionários. Saiba o que eles pensam, o que eles querem, o que eles acham que está bom e ruim. Elimine (ou se certifique de que alguém faça isso por você) esse tipo de distância
  2. Promova pesquisas internas: por que não perguntar para quem está no dia a dia o que ele acha? O que pensa da empresa? Dos processos? Do ambiente de trabalho? Da gestão? Com esses dados em mãos, dá para traçar uma linha concreta do que fazer para melhorar
  3. Faça avaliações de desempenho: se o colaborador está bem, é justo que ele ouça isso. Se está mal, precisa saber onde tem de melhorar
  4. Elogie em público, critique isoladamente: esse mantra vem sendo muito difundido. E faz total sentido! Não é preciso expor ninguém na frente de colegas de trabalho. Por outro lado, valorizar para que todos vejam incentiva e contagia os demais a buscarem o mesmo
  5. Seja um líder: assuma a postura que a posição sugere, mas não apenas colhendo os frutos. Arque com a responsabilidade de estar à frente de uma equipe, entendendo as necessidades e sabendo o que ela precisa para render mais

 

Recado é para todos

Por fim, não importa se a sua empresa é uma multinacional com milhares de vidas ou um comércio menor que emprega menos de uma dezena de pessoas. A essência da responsabilidade é a mesma: lidar com vidas e ajudar para que elas tenham a melhor qualidade possível.

Mais uma vez, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, por exemplo, os locais onde mais ocorrem acidentes com quedas de altura são:

  • Construções civis
  • Hospitais e similares
  • Transporte de cargo
  • Comércio

Mas todo mundo está exposto a isso. Por isso, mantenha documentos importantes em dia, como PPRA, PCMSO, LTCAT, FAP, NTEP. Faça análise ergonômica do trabalho na frequência em que tem de ser feita (entenda a importância disso clicando aqui).

Entenda a importância de se contratar uma empresa de gestão de saúde ocupacional, que vai colocar essa parte de baixo do braço. Entenda, antes, para que você precisa disso. Tratamos esse assunto com profundidade neste post.

 

A empresa agradece!

Colocar tudo o que foi citado em prática do dia para a noite, evidentemente, não é fácil. Mas algumas coisas são importantes, inicialmente, para que esse cenário saia do papel e vire realidade.

  • Mude o pensamento: perceba que essas mudanças são importantes. Quando isso acontecer, a virada de chave será natural. Um processo acaba puxando o outro e, no fim, se não estiver em um quadro ideal, estará perto disso
  • Dê o primeiro passo: começar a mudar, normalmente, não é fácil. É comum olhar uma lista com muita coisa para executar e se desanimar diante de tantas aplicações. Mas comece! Escolha um item e o coloque em ação. E, assim, vá fazendo com cada um. A preparação para correr uma maratona não começa com treinos de 42 km. Aos poucos, evoluindo sempre, se chega lá!
  • Convoque as pessoas para ajudá-lo: mostre para quem está ao seu lado os benefícios dessas mudanças. Assim que a ideia for comprada, você terá aliados importantes e fundamentais para divagar e aplicar uma nova ideologia na empresa
  • Mantenha as coisas sempre atualizadas: não adianta implantar a mudança, deixá-la bem e abandoná-la. Depois de um tempo, a coisa cai na mesmice e perde o valor. Então, modernize sempre seus programas e esteja ligado no que há de novidade e as pessoas vêm fazendo em exemplos de sucesso

 

A palavra do ministro sobre absenteísmo

Helton Yomura, ministro do Trabalho interino, falou sobre o assunto no lançamento da Canpat deste ano, em Brasília. O discurso dele foi focado em um conceito: conscientização.

“Precisamos olhar para esse tema com a importância que ele merece. Ter ambientes de trabalho seguros e saudáveis é importante tanto para o trabalhador quanto para o empregador, com benefícios que alcançam todos os brasileiros, economicamente ativos ou não”, disse.

Yomura também colocou à mesa alguns números preocupantes sobre o tema.

“São 500 mil acidentes de trabalho por ano. Esse é um índice muito alto. Há uma polêmica se o Brasil é o quarto ou quinto lugar no índice mundial de acidentes de trabalho. Estando no quarto ou no quinto, a questão é que os acidentes de trabalho no Brasil são preocupantes.”

Cláudio Ferreira Santos, primeiro secretário de Segurança do Trabalho da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), faz um alerta mais abrangente. Para ele, é preciso melhorar os canais de comunicação para se ter a real noção dos motivos que afastam todo mundo do trabalho.

“São aqueles índices que chamamos de subnotificados. Nós, da CSB, temos de identificar esses números mais ativamente, temos de colocar isso para a sociedade e fazer uma campanha da campanha”, explicou.

 

O caminho é esse!

Em pouco tempo, você vai perceber as mudanças. Não apenas na queda de absenteísmo, o que automaticamente vai reduzir custos e aumentar a produtividade – e, consequentemente, o lucro.

Mas, também, e quem sabe principalmente, no ambiente de trabalho. As atividades sugeridas, sempre que feitas em grupo, trazem mais benefícios do que o físico e o mental. Elas integram e socializam as pessoas, melhorando consideravelmente o ambiente de trabalho. A definição de equipe sugere algo que seja feito em grupo, então, nada melhor do que ter um grupo sempre unido.

Promova na sua empresa a mudança que você sonha para você e para a sua vida!