Ossos do ofício

By 13 de junho de 2017Slider

Um atestado médico a cada 5 minutos foi concedido no ano passado por causa de doenças osteomusculares.

A fábrica de ferros de passar roupas e outros artigos elétricos da Stanley Black & Decker, em Uberaba, Minas Gerais, chegou a perder 1,5% da produção em 2014. O motivo? As doenças musculo-esqueléticas (DMEs) recorrentes que atingiam parte dos 750 funcionários e obrigaram a empresa a processar, de janeiro a setembro daquele ano, 235 atestados médicos. O afastamento dos portadores de queixas ortopédicas representou 709 dias de trabalho perdidos e exigiu a contratação de 88 operadores para repor a força produtiva. Um prejuízo estimado em 1,2 milhão de reais.

A companhia não está sozinha nesse cenário. As DMEs são a principal causa da incapacidade e e do absentismo de assalariados, seja qual for a base de dados analisada – do Anuário Estatístico da Previdência Social às pesquisas de consultorias de gestão em saúde.

No ano passado, segundo a Associação Internacional de Promoção da Saúde no Ambiente de Trabalho, foram concedidos 415.846 benefícios acidentários e previdenciários relacionados a doenças osteomusculares, bem acima da segunda causa de abono, as doenças mentais. Dados oficiais da Previdência Social indicam as dores lombares como o maior motivo de faltas de empregados no país: somente no primeiro trimestre de 2016, registraram-se mais de 24.000 afastamentos. Significa que, por dia, 269 trabalhadores entraram em licença médica por conta de problemas na coluna – um atestado a cada 5 minutos.

Ao contrário do que se pensa, essas queixas não são “privilégio” dos funcionários do chão de fábrica. “Digitadores, vendedores, motoristas e atendentes de telemarketing também estão sujeitos a dores nas costas, nos quadris e nos joelhos”, diz Ricardo Lobão, presidente da consultoria de gestão UIB Benefícios, apresentando uma pesquisa realizada entre janeiro de 2015 e dezembro de 2016 com 456.000 usuários de planos de saúde. O levantamento indica um aumento de 52% no número de consultas por problemas de dores nas costas e 27% por desconforto nos joelhos. Apenas as cirurgias na coluna cresceram 79% de um ano para o outro.

O prejuízo é certo. “As queixas ortopédicas podem responder por até 14% das despesas totais com sinistro de saúde de uma organização”, afirma Helder Valério, gerente de gestão e promoção de saúde da consultoria Mercer Marsh Benefícios, com base num estudo realizado em 2016 com 100 empresas nacionais e multinacionais de grande e médio porte.

Esse mal causa tanto a ausência dos profissionais quanto a consequente queda na produtividade e rentabilidade das corporações – e ainda afeta o clima organizacional.

AUTORA: Marleine Cohen

FONTE: Você RH Edição 49 – ABR/MAI 2017